segunda-feira, 11 de julho de 2011

DIVERSIDADE SOCIOAMBIENTAL

A diversidade das formas de vida na Terra (e sabem-se lá mais onde) é incalculável. A vida, nesse sentido, é um redobramento ou multiplicação da diferença e diversidade.
A diversidade humana, social ou cultural, é uma manifestação da diversidade ambiental, ou natural. Por isso a presente crise ambiental é, para os humanos, uma crise cultural, crise de diversidade, ameaça à vida humana.
A crise se instala quando se perde de vista o caráter relativo, reversível e recursivo da distinção entre ambiente e sociedade. Mas hoje, começa a ficar urgentemente claro até para "nós mesmos" que é de suprema urgência e interesse da espécie humana abandonar uma perspectiva de controle ambiental para de essa forma controlar a diversidade.
É possível mudar de rumo, ainda que isso signifique -- está na hora de encararmos a chamada realidade -- mudar muito daquilo que muitos considerariam como a essência de nossa civilização. O que chamamos de ambiente é uma sociedade de sociedades. O “ambiente" também inclui a sociedade.
Como dizia o grande sociólogo Gabriel Tarde, "toda coisa é uma sociedade, todo fenômeno é um fato social". Toda diversidade é ao mesmo tempo um fato social e um fato ambiental; impossível separá-los sem que não nos despenhemos no abismo assim aberto, ao destruirmos nossas próprias condições de existência.
Diversidade socioambiental é a condição de uma vida rica, uma vida capaz de articular o maior número possível de diferenças significativas. Vida, valor e sentido, são, finalmente, os três nomes, ou efeitos, da diferença.
Falar em diversidade socioambiental não é fazer uma constatação, mas um chamado à luta. Não se trata de celebrar ou lamentar uma diversidade passada, residualmente mantida ou irrecuperavelmente perdida, pois, a bandeira da diversidade real aponta para o futuro, onde o comando está nas mãos de uma unidade superior, ou seja, em nossas mãos, porque tudo isso não é um jogo, mas está em jogo. Não é um problema de controle tecnológico, mas de consciência, social e política.
Contra o mundo do "tudo é necessário, nada suficiente", a favor de um mundo onde "muito pouco é necessário, quase tudo é suficiente".
Quem sabe assim tenhamos um mundo a deixar para nossos filhos.

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